domingo, 11 de janeiro de 2015

Campeonato português, show de Júlio César, Copa São Paulo, salvação de Botafogo e mudança de paradigmas


Campeonato português, show de Júlio César, Copa São Paulo, salvação de Botafogo e mudança de paradigmas








Recentemente vimos bons jogos no campeonato português, com a vitória do Benfica e do Porto, de modo que como destaque se percebe as grandes defesas de Júlio César, que por mais de uma vez foi exigido em seu reflexo, tendo numa de chutar a bola para cima, retirando o perigo. No mais o seu time, Benfica, esteve bem e briga pretensioso no campeonato português, cujo Porto é principal rival. Depois da Copa do Mundo, Júlio vem trabalhando bem, apesar de mesmo lá já ter confirmado não ficar mais na seleção brasileira. Ainda teve o gol de Jonas, brasileiro. Ele superou filosoficamente aquela crise, seja com ataraxia, com virtude, com razão, lógica e todas as ferramentas teóricas que dispôs. Hoje vemos um bom goleiro. Vemos uma mudança de paradigmas, onde padrões são mudados.




Já aqui no por nossas terras, vemos a “copinha” São Paulo, revelando talentos, e mostrando belos gols. A crítica fica pelo horário dos jogos, que é desumano com atletas, uma vez que pelas 2 horas da tarde, o sol de 40 graus ou mais, e condições complicadas, afetam os jovens atletas. Há uma falta de democracia por parte da federação e mesmo os times não souberam reivindicar direitos, podendo se negar nessas condições. Mas no mais se vê belos jogos e liberdade. Destaque ficou para o Botafogo, que ganhou mais um jogo e se mantém, a fim de dar esperança para uma salvação, talvez refletindo em seu time principal. Sempre há revelações e lembro de em times de base do Corinthians, se destacarem bons atletas, que depois fizeram um bom trabalho no time principal.
 
 

Vemos que após uma crise do futebol na Copa, as coisas se recuperam e os craques continuam aparecendo. Velhos gênios estão com sua luz um pouco apagada, como o caso de Messi, que já não tem o mesmo desempenho de outrora. Já Cristiano Ronaldo mantém boa média de gols, e Neymar até fez um belo de cobertura. No mais temos agora times catarinenses na série A do brasileirão, e várias cosmovisões filosóficas são lançadas, mudando antigos paradigmas. Também na Copinha estão liderando nas chaves, mostrando que o futebol do sul anda em boa fase, nunca antes tão eficiente. O Eixo Rio-São Paulo é um pouco superado por esses fatores, apesar dos grandes times estarem fazendo e cumprindo seu papel. Até o Vasco pode oferecer lições, de forma surpreendente. Fato é que tudo promete esse ano, em surpresas no futebol, e novos paradigmas que surgem.



sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Democracia e liberalismo no futebol brasileiro


Democracia e liberalismo

no futebol brasileiro





Vemos os times catarinenses subindo na Série B do Campeonato Brasileiro e assim percebemos a igualdade de possibilidade na conquista de uma vaga para o acesso a Série A. De curioso é o time do Joinville, que era muito bom nos tempos que meu pai era jovem e morava ainda na maior cidade de Santa Catarina. Também vemos por outro lado, o Timão ou Corinthians ainda entre os primeiros, mesmo sem ter um time de grandes estrelas, como antes ocorria, quando tinha o Fenômeno, Pato e outros. Isso prova o liberalismo e a democracia no futebol brasileiro.
 
 
 

Vemos no mundo a tendência a ainda se respeitar o esporte chamado futebol, apesar da Indústria Cultural que nos envolve, bem como a massificação que acaba por desfragmentar o torcedor. A liberdade ainda é a tônica, e times que antes estavam quase comunitários e regionais, ganham cada vez mais seu espaço na mídia nacional. O Joinville pode ser um deles. Talvez muitos conheçam o futebol catarinense pelo futsal, que lançou timões e grandes jogadores, como Falcão, e assim agora possam conhecer também o que surge em futebol de campo, bem como essa cidade linda que é Joinville.
 
 
 
 
 

Uma liberdade de ir, vir e permanecer. Bem como um utilitarismo, onde apenas o que é realmente reconhecido acaba por ter destaque. O futebol nacional, após aquele fiasco da Copa do Mundo, volta a respirar, e até a Seleção ganha alguns jogos, como a recente vitória contra a Argentina. Também a liberdade de ser jogador e não ser acusado ou mal falado, como ocorria nos anos de 60, 70. Hoje a liberdade fala que se pode ser atleta, que o esporte vale a pena e que tudo isso apesar de envolto na Indústria Cultural, ainda mantém um ideal de amizade e companheirismo. É o chamado Fair Play. Cada um tem seu direito a discutir e a buscar a reclamação, em verdadeira voz popular. Assim se vê torcida tirando técnico, apoiando jogador e por fim apoiando seu time.
 
 

Tanto a democracia, quanto o liberalismo, mesmo sendo doutrinas de primeiro mundo, acabam por influir em nosso esporte. Diferente da tendência à esquerda que vemos na política nacional, onde foi reeleita de modo apertado a Presidente da República, no esporte ainda se prefere a liberdade a igualdade. Doutro modo todos os times seriam iguais, em comunismo fútil de oportunidade e sem qualquer destaque. Resta que conciliemos não apenas norte e sul do país, sem divisão, mas que o esporte nos ensine que mesmo um time antes desacreditado, como o JEC (Joinville) pode ganhar destaque nacionalmente, e mostrar seu talento com a bola. E agora torcer pelo time faz do joinvilense alguém satisfeito com sua cidade e esporte, numa verdadeira democracia de campeonato.


domingo, 10 de agosto de 2014

Futebol: demonização e secularização até a ética protestante de pensador alemão Max Weber


Futebol: demonização e secularização até a ética protestante de pensador alemão Max Weber







Com o início da Copa do Brasil e do campeonato brasileiro, percebemos a pouca importância tática em nossos jogos, e mesmo a falta de continuidade de trabalho, revelando um caos em jogos e tendo dois grandes times abaixo na tabela, como o Flamengo e o Palmeiras. Por outro lado, percebemos times quites com dívidas, como os catarinenses, e alguma esperança inicial do Joinville na série B, porém com alguma queda de posição. Já o Vasco em alguns jogos não supera times da série B, tendo alguns jogos parelhos, e mostrando o equilíbrio do futebol nacional, diversamente de outras épocas. Também percebemos retorno de campeonatos europeus, como o russo e o holandês, que nos mostram uma grande qualidade tática, mas pouco talento de alguns atletas, em oposição ao nosso. Assim conferimos a demonização dos técnicos (o nosso disse que iria até inferno com a Seleção...) e a secularização da lógica alemã, quando da Copa atribuiu tudo ao trabalho, e nada a Deus. Esse paradigma veremos aqui.
 

Vemos esse erro nacional: culpar os técnicos. Com um futebol que já perdeu muito em qualidade, acaba-se por querer achar o defeito no treinador, no capitão, mas se esquece que não há colaboração individual. A base está fraca. Vemos times jogando sem esquema, com ligações diretas e dependendo de talentos individuais, o que tem pouca força ofensiva. Também vemos a axiologia envolta a deixar no milagre, a atribuir a Deus sem ter um esforço equivalente. Já lembrando a ética protestante, ou mesmo iluminista, vemos que o trabalho faz se merecer a bênção. Nisso entrou a Alemanha, quando da Copa, podendo agradecer a Deus mas também usando de sua “conversão” a um futebol mais qualitativo. A secularização também cumpriu um papel, pois se fez uma renovação ética. Por aqui vemos os times com altíssimas dívidas e uma série de desvios por partes de dirigentes de clubes e toda a sorte de demonização.
 
 

Isso ainda implica o capitalismo. Não é ruim buscar o dinheiro. Desde que se faça merecer e trabalhe para tal. Aí entra o merecimento e o que Max Weber de um trabalho fiel, espécie de trabalho pelo trabalho. Vemos isso também na mentalidade norteamericana. Por aqui o sujeito trabalha e se não precisar, fica na festa ou avacalha. Isso pode ser levado para o futebol. Não que não deva ter sua liberdade e opções de valores. O atleta tem de ter suas escolhas. Mas dentro do campo e do time não seria louvável ele usar do jogo apenas de troca por dinheiro. O segredo é a VOCAÇÃO. Vemos em alguns jogadores a total falta disso, e mais para outra, como de artista ou comentarista de televisão. Apesar que comentaristas de hoje foram grandes craques no passado. Contudo, vemos uma secularização, uma falta de fé no futebol, com a devida morte de Deus, estilo Nietzsche, e a troca disso apenas pelo dinheiro, e por um glamour que deve ser lidada com racionalidade, com uma autonomia da vontade, lembrando Kant.
 
 

Não há mal em ser rico, desde que a riqueza seja destinada e atribuída a Deus. Mas junto a isso tem de se ver o merecimento, vocação e mesmo o trabalho para tal. A secularização se deu muito quando religiões protestantes ou puritanos vieram da Inglaterra até os EUA, fundando um Estado em muito separado da Igreja. O futebol é de origem inglesa. E hoje temos o campeonato inglês como senão o melhor, um dos melhores do mundo. Por aqui por outro lado vemos uma pobreza do futebol, e campeonatos que dão sono. Esses dias falei com barbeiro, que é jogador amador, e ele disse que desistiu de ver determinado jogo de nossa “Série A”. Acredito que apenas ficou o nome de série A. Vemos por outro lado a demonização dos técnicos, que deveriam ser mais aproveitados e treinados, e não meramente trocados. Ensinar que não adianta ter jogadores com passe ruim, ou apenas volantes e ligações diretas, seria um grande começo. E que o jogador leve a sério treinos, jogos e tudo mais, numa secularização em que separe o seu estrelismo daquele momento de jogo, onde é igual a todos do time. Devemos valorar mais os goleiros, zagueiros e armadores, e não apenas endeusar atacantes. O time é um holismo, onde todos são necessários. Assim a lição do pensador alemão Max Weber nos prova que o problema não é o dinheiro, mas o modo como se chega a tal e como se leva em conta a vocação, que dá merecimento a essa bênção.